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“Ter Voz e Fazer-se Ouvir”: As conquistas de três mulheres jornalistas que marcaram época.

Empoderamento Feminino

por Cida Stier em 16/12/2016

vozes femininas

Fatos interessantes que marcam a conquista da mulher jornalista

Como fonoaudióloga, especialista em voz, dedico-me há anos a pesquisas, à preparação e ao desenvolvimento de vozes profissionais nos meios de comunicação. A voz de cada pessoa é única e representa uma ponte entre o pensamento e o ouvinte. Desse modo, a credibilidade de uma informação passa essencialmente pela voz.

Em muitos casos, por exemplo, a voz aguda não carrega a autoridade necessária à comunicação na mídia. Portanto, as técnicas vocais são ferramentas básicas para os profissionais do vídeo, especialmente para as mulheres.

Sou muito grata a todas as jornalistas que confiam a mim suas vozes. É muito gratificante participar de um bastidor em que o esforço e a dedicação para conquistar uma voz melhor contribuem para o êxito e o sucesso profissional.

Então, compartilho, aqui, fatos interessantes ao longo da história das últimas décadas, que marcaram a conquista da mulher jornalista em “ter voz e fazer-se ouvir”.

As Primeiras Vozes Femininas no Rádio:

No início, o jornalismo era uma profissão predominantemente masculina. Uma das formas de discriminação contra a mulher era o pensamento comum de que os ouvintes não gostavam de vozes femininas, por não transmitirem autoridade.

Vozes Femininas no Jornalismo

Edward R. Murrow, jornalista da CBS, indiretamente contribuiu para a mudança desse conceito. Ele foi o primeiro a admitir uma mulher para
transmitir notícias pelo rádio em um projeto ousado e inovador.  Em 1939, criou o “CBS World News Roundup”, uma transmissão ao vivo, da zona de guerra. Diariamente, os repórteres apresentavam os furos de notícias para milhões de ouvintes, mesmo sem ter certeza de que seriam realmente ouvidos.

A partir dessa forma de atuação, em que um profissional unia as funções de levantar a notícia, escrevê-la e apresentá-la, criou-se uma figura nova para a comunicação. Essa nova modalidade de reportagem precisava de muitos correspondentes que fossem profissionais experientes com vozes fortes e convincentes.

Murrow contratou uma antiga amiga, Mary Marvin Breckinridge para trabalhar na sua equipe. Um fato curioso: bem no momento da primeira gravação, ele pediu a ela que usasse a voz em tom grave. O conselho era baseado no senso comum da época sobre a falta de autoridade da voz feminina. Ela foi a primeira correspondente mulher na equipe da "CBS Radio News".

Após o término da guerra e o retorno dos homens aos seus empregos, poucas mulheres permaneceram nas estações de rádio e nas agências de notícias. Elas não contavam com a receptividade de todo o público.

A Descriminação Que Gerou Determinação

Vozes Femininas no Jornalismo

No entanto Pauline Frederick foi uma das poucas exceções. Ela concluiu o curso de Ciências Políticas em 1930, na Universidade Americana de Washington, e iniciou suas atividades no jornal "The Washington Star". Quando Frederick procurou a CBS, posteriormente ao término da II Guerra Mundial, não foi admitida, sob a justificativa de que ninguém gostaria de ouvir as notícias transmitidas por mulheres, haja vista não aceitarem suas vozes. 

"Eu tentava de todas as formas convencer de que eu poderia ser repórter de rádio. Isto era muito difícil porque nunca tinha se ouvido uma mulher querer entrar num universo masculino.Um executivo de uma rádio disse-me que, mesmo se eu estivesse transmitindo uma notícia séria, os ouvintes iriam mudar de estação porque a voz da mulher não carregava autoridade. Esta discriminação me fez determinada a quebrar esta barreira”.

Em 1947, Frederick tentou novamente uma aproximação com a CBS e a NBC, enviando amostras de suas entrevistas em platters, discos de celulóides de 78 rpm, o meio de gravação da época. O comentário, dessa vez, foi que, apesar de ela ter uma voz agradável e ler bem, a CBS tinha poucas oportunidades de colocar uma mulher no ar.

Após muita persistência, Pauline Frederick tornou-se, em 1948, a primeira apresentadora e repórter de televisão a cobrir as convenções políticas pela ABC. Pelo seu êxito nas entrevistas, após as convenções, ela foi contratada e passou a ser a primeira mulher a fazer parte de uma equipe de televisão em tempo integral. Sua voz era modulada e séria e, por isso, marcou o padrão das mulheres que faziam noticiários na época (SANDERS & ROCH, 1988).

Para a preparação de sua imagem no vídeo, Frederick foi encaminhada a um reconhecido centro de estética, a fim de aprender as técnicas de maquiagem apropriadas para a televisão. Como era uma novidade, ninguém nesse instituto tinha certeza de como deveria ser a maquiagem de uma apresentadora de televisão. Logo, prepararam uma sessão de fotos com Pauline para avaliar as possibilidades e os resultados. A direção da emissora pediu para ela evitar o uso de roupas pretas, vermelhas ou brancas (O’DELL, 1997). 

Sua credibilidade era tanta que, em 1976, foi a primeira mulher a moderar um debate presidencial, entre Gerald R. Ford e Jimmy Carter  (BLAU, 1990).

Vozes Femininas no Jornalismo

Ruth Ashton, em 1948, foi outra mulher que permaneceu no rádio e, em seguida, foi para a televisão. Ela era considerada importante nesse meio. Enquanto os repórteres produziam matérias especiais e usavam suas vozes, ela fazia o mesmo, mas suas matérias precisavam ser narradas por homens.

A discriminação da voz tinha sido transferida do rádio para o novo meio de comunicação, a televisão.

Somente em 1951, Asthon participou de um telejornal local de Los Angeles, aparecendo em um segmento chamado “Woman’s Angle”, em que ela era vista e ouvida  (SANDERS & ROCH, 1988).

Em 1971, a "Federal Communications Commission" (FCC) incluiu as mulheres no regulamento de igual oportunidade de emprego que, originalmente, era somente aplicado para as minorias raciais e étnicas.

Essa ordem proibia a discriminação contra as mulheres.

A perseverança e a determinação das mulheres, que na época se destacavam como correspondentes ou repórteres, abriram portas para aquelas que estavam por vir (GELFMAN, 1976).

Sim, ariram muitas portas.

Ao acompanhar o trabalho das dedicadas profissionais do rádio e da televisão, não tenho dúvida de que elas carregam a força e a essência de suas antecessoras para conquistar as mesmas vozes e para ser ouvidas em pé de igualdade em relação aos homens.

FONTES  - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 

http://www.biography.com/people/edward-r-murrow-9419104#world-war-ii-correspondent

http://www.cbsnews.com/news/reporting-on-history-cbs-world-news-roundup-marks-75-years/

http://www.poynter.org/news/mediawire/272385/today-in-media-history-in-1939-mary-marvin-breckinridge-patterson-became-one-of-the-first-female-cbs-broadcast-journalists/

http://www.wic.org/bio/frederic.htm

http://www.shemadeit.org/meet/biography.aspx?m=29

BLAU, C. Pauline Frederick, 84, network news pioneer, dies. New York. New York Times. 11 de maio de 1990. p. 18.

GELFMAN,J. Women in television news. New York. Columbia University Press. 1976.

O’DELL, C. Women pioneers in television: biographies of fifteen industry leaders. North Carolina: Mc Farland& Company, Inc, 1997.

SANDERS,M.& ROCK,M. Waiting for prime time- the women of television news. Chicago: University of Illinois Press, 1988.

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Cida Stier é Fonoaudióloga, formada pela PUC-PR, Co-Fundadora da Companhia da Fala. É especialista em voz pelo CEV-SP, pós-graduada em Distúrbios da Comunicação, em Educação Especial na PUC-PR, com MBA em Comunicação e Marketing UNICURITIBA-PR e é mestre em Distúrbios da Comunicação pela UTP-PR. saiba mais

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